sábado, 19 de janeiro de 2013
Quando o barulho da noite passada não te deixa dormir.
Depois de uma noite estranha vem a chuva fazendo com que naquela hora vaga todas as lembranças que quis esquecer viessem a tona. Fazendo todos os pingos da chuva serem confundidos com pedras que quebra o silêncio e parte o coração. Na hora mais inesperada uma mão gelada me toca, me toca tão friamente que sinto um arrepio na espinha, e todo meu corpo se transforma em veneno. Todas as feridas abertas do meu corpo de repente viram apenas células mortas e outras insistem em ser cicatrizes. A culpa dos problemas que não resolvi está tão pesada que todo meu corpo dói. E aquele outro corpo que foi deixado na rua com a esquina 13, aquele corpo adormecido com morfina, aquele corpo com arames farpados soltados para fora, aquele corpo que um dia eu aguentei leva-lo para cima e para baixo, esse corpo que pertence a mim, esse corpo que não sei mais o que fazer com ele, está sendo difícil de carrega-lo com tanta amargura que reina nele. Nunca foi tão difícil carregar 54 quilos de carne e ossos pelas ruas. Meu corpo não serve mais de nada, com essa certeza me vem uma pergunta na cabeça: "Como não existir e continuar vivendo?". Meu pescoço direcionado para a única estrela daquele céu, sem olhar para frente, só olhando para cima, mas acabo fugindo do foco quando percebo que o chão começou a tremer e rachar, me puxando para baixo, querendo que eu faça parte dele, querendo que eu faça parte de um asfalto misturado com pedras, e eu acabo cedendo, me transformando assim em um chão para você pisar e reclamar. Sabendo da condição que serei seu chão e você poderá pisar em mim a hora que for, me vem um eterno nó na garganta e uma permanente corda no pescoço.
Maldita chuva que fez lembrar de como me sinto.
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